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Desenho Bico de Pena - Flávio Tavares

R$ 1.330,00

Ano: 1978
Medidas: 31 cm X 33 cm
Avaliação
:  sem moldura

Sobre o artista

Flávio Roberto Tavares de Melo é neto e filho de artistas, seu avô paterno, Pedro Damião, era um notável fotógrafo, e seu pai, Arnaldo, além de renomado médico, dedicava-se, nas horas vagas, ao desenho, a bico-de-pena, tendo ilustrado diversos livros e, ao longo de décadas, produzido centenas de vinhetas para jornais do Estado.

Quando criança, Flávio já mostrava genuína intimidade com o desenho e a pintura, sendo inicialmente orientado pelo Dr. Arnaldo e, desde então, não parou de exercitar-se, de indagar e experimentar.

O artista frequentou o curso de pintura oferecido pelo artista Raul Córdula, no Setor de Arte da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e, ainda aos 18 anos, passou a absorver os ensinamentos do pintor e gravador Hermano José, que àquela época já era um laureado artista.

Flávio Tavares terminou seus estudos secundários e logo ingressou no curso de sociologia da UFPB, o qual abandonaria ainda no terceiro ano para dedicar-se em tempo integral ao ofício artístico. Tinha pouco mais de vinte anos e já havia exposto no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, onde, em 1976, lançou o álbum de desenhos “O Pavão sem Mistério” com o texto de apresentação do ilustre cartunista Ziraldo. Nesse mesmo período, estudaria pintura nos Estados Unidos da América (Universidade de Yale; Universidade de Connecticut e Simon Rock College, onde, inclusive, ministrou workshop), e em Caiena (na Guiana Francesa). Em todos esses lugares, aproveita para realizar exposições.

A seguir, ingressa no mercado de arte da Alemanha, pelas mãos do casal Jürgen e Maria do Carmo Vogt, ela paraibana e presidente do Instituto Cultural Teuto-Brasileiro em Berlim e que, em breve, se tornaria amiga e agenciadora das obras de Flávio Tavares na Alemanha. Neste país, sua primeira exposição individual ocorreu em 1981, em Berlim, na galeria Laden, com apresentação da Sra. Karoline Müller, mostra a partir da qual viria conseguir não só um substancial mercado de arte, mas ver surgir, pouco a pouco, um expressivo número de colecionadores das suas obras, sendo o Sr. Stahl um dos primeiros a integrar essa lista.

Poucos anos mais tarde, Tavares expôs em Jerusalém (Israel) e, desde então, voltou a realizar mais quatro mostras na Alemanha, contando sempre com o apoio e assessoria do casal Vogt, a quem Flávio atribui fundamental importância para a difusão de suas obras em terras germânicas. Laureado diversas vezes, o pintor participou de incontáveis e importantes mostras em grandes cidades do Brasil e do mundo, incursionando amplamente pelo universo das artes, tendo se expressado com sucesso nas mais diversas técnicas (pintura, desenho, aquarela, escultura em pedra e em madeira, gravura em metal, xilo e litogravura) e, não bastasse tudo isso, pintou cenários para peças teatrais, além de ter ministrado vários cursos, workshops, palestras para um sem número de estudantes de arte e, ainda, produzindo mais de dez painéis e murais na Paraíba, e em outros estados do Nordeste brasileiro.

Artista sintonizado com seu tempo, Flávio Tavares iria produzir uma série de desenhos criticando a ditadura militar nos “Anos de chumbo” no Brasil (1964-1984), e ainda hoje produz charges que aludem aos problemas políticos e sociais da Paraíba, do Brasil e do mundo, sem perder a verve e sempre com um traço irrepreensível. É bem verdade que nos desenhos preto no branco essas mensagens ficam mais evidentes, mas em suas pinturas, por vezes, detectamos numa mesma tela dois planos aparentemente dissociados, e cuja simbiose resultará num discurso pictórico cheio de crítica social, política ou ainda de denúncias que o sistema muitas vezes se recusa a tomar conhecimento, por mera comodidade.

Apresentando uma de suas exposições, Flávio escreveu um texto intitulado “O Universo chamado família”, no qual faz uma breve definição de si mesmo ao afirmar: “Já fui chamado de surrealista e classificado como um figurativista que segue a tradição dos anatomistas pré ou pós-renascentistas, até pintor primitivo, numa primeira fase. Mas prefiro achar que busco e executo os meus próprios ideais estéticos, embora admita que tenha muito dos anatomistas, dos surrealistas, dos primitivos e dos impressionistas”. 
Fonte: www.flaviotavares.com.br