Maria Antonieta (Edition 02/03) -  Adriana Duque
Maria Antonieta (Edition 02/03) -  Adriana Duque
Maria Antonieta (Edition 02/03) -  Adriana Duque
Maria Antonieta (Edition 02/03) -  Adriana Duque
Maria Antonieta (Edition 02/03) -  Adriana Duque

Maria Antonieta (Edition 02/03) - Adriana Duque

Família Vito

Preço normal R$ 0,00 R$ 45.000,00 Em promoção

Sobre a Obra 
Maria Antonieta 2 (da série Retratos - PA)
Impressão Fotográfica
Edition of 3
This is part of a limited edition set.
Obra com certificado de autenticidade da Galeria Zipper. Medida: 1,56m x 1,20m
Valor uma nova na galeria 60 a 65mil.

Sobre a Artista
O trabalho de Adriana Duque (Manizales, Colômbia, 1968) incita o embate entre a fotografia e a pintura. A artista utiliza a fotografia – e os recursos contemporâneos dedicados a este suporte – para realizar aproximações e releituras da pintura.

As crianças barrocas de Adriana Duque
A artista explora o conceito de infância e suas fotografias conceituais usam da imagem de crianças com o estilo barroco: figurinos adornados e pomposos, jóias incrustadas e o anacronismo do uso de fones de ouvido dão um toque peculiar a sua obra.
   
                      

Segundo ela, a imagem da criança representa uma arte ainda imatura, que tenta crescer, mas permanece ligada a um início artificialmente barroco, o ato de vestir e adornar a criança demonstram a falta de poder da mesma, que não questiona, com fones de ouvido silencia todos os sons críticos e mantém seu olhar para a câmera sem ver, no fundo, o verdadeiro, simples interior de uma casa real.

 "As crianças fotografadas por Adriana Duque são personagens de uma cena teatral, uma quase-pintura, que desafia a ideia comum de que a fotografia é um documento inquestionável. Os cenários são construídos, a luz é calculada, as roupas são confeccionadas especialmente para a foto, e os olhos azuis das crianças são adicionados na pós-produção digital. No entanto, nos encantam pela mágica da verossimilhança, por serem imagens que poderiam ser, mesmo que saibamos que não são, fieis a algum real.
A suspensão da descrença, esse estado de deixar-se enganar voluntariamente, pelo prazer que o auto-engano proporciona, é vital no teatro e no cinema. Suspendemos o racional, entramos na brincadeira da obra, acreditamos que seria possível. Nos tempos pós-modernos, já nem sabemos mais quando estamos suspendendo a descrença e quando estamos sendo enganados. Os meios de distribuição de imagens nos bombardeiam com rostos e corpos impossíveis, cenários de sonhos, exemplos de felicidade plena, fazendo-nos tomar por naturalismo o que deveria ser claramente entendido como maneirismo.
Adriana Duque exacerba a manipulação de nossa crença perante a imagem. Suas lindas crianças vestem-se como pequenos monarcas, reinam em um cenário de veludo e brocados, adornam-se com uma coroa que se parece com um fone de ouvido, trazendo-as para a contemporaneidade apesar da atmosfera barroca.
Ao citar o século 17 nos contrastes de claro e escuro e na rica ornamentação das vestes e mobílias, Duque nos coloca também em contato com a história da arte latino-americana, que violentamente viu a arte nativa ser substituída pela arte então em vigor na Espanha. As crianças das fotografias podem ser um retrato de uma arte ainda na infância, que tenta crescer mas mantém-se ligada a um começo artificialmente barroco, que a criança traveste sem questionar, com fones de ouvido que abafam qualquer som crítico, e as mantém olhando para a câmera, sem que vejam, ao fundo, o interior genuíno, simples, de uma casa real.
Paula Braga, 2013